O VCS3 renasce em miniatura: a Behringer traz de volta o synth do joystick

O VCS3 renasce em miniatura: a Behringer traz de volta o synth do joystick
20/07/2026 CT Muller

Fiquei sabendo agora, ainda com o coração acelerado: a Behringer lançou o AKS Mini, uma miniatura fiel do EMS Synthi AKS, o mesmo circuito do lendário VCS3! Pra quem não conhece a história, o VCS3 é de 1969, inglês, e tem uma cara tão estranha e tão linda que vira personagem por si só — sem teclado convencional na versão original, com uma matriz de pinos pra fazer as conexões e aquele joystick que virou sinônimo do instrumento. Pink Floyd usou. Brian Eno usou muito, principalmente na fase Roxy Music e nos discos ambient. A BBC Radiophonic Workshop usou pra criar texturas que até hoje soam do futuro, incluindo pedaços icônicos de Doctor Who. Isso é história de verdade, não é nostalgia vazia!!!

O que a Behringer entregou dessa vez

O AKS Mini não é só uma casca bonita. Ele tem 3 VCOs, cada um com onda dente-de-serra e quadrada, um filtro passa-baixa ressonante analógico de verdade, e um LFO dedicado com onda senoidal, dente-de-serra, quadrada e aleatória, modulando tanto o pitch quanto o filtro. Tem envelope de quatro estágios. E tem, claro, o joystick de dois eixos, que no VCS3 original já era a interface mais expressiva e mais estranha que eu conheci em sintetizador nenhum — controlar dois parâmetros ao mesmo tempo com um movimento só, isso muda completamente a forma como você toca.

Pra fechar, ele traz um sequenciador de movimento de 16 passos com 10 memórias, que grava o movimento dos knobs, não só notas — isso é uma forma de sequenciar que poucos instrumentos modernos ainda oferecem, e que era exatamente o espírito desses sintetizadores dos anos 70: gravar gesto, não só altura de nota. Alimentação via USB-C, entrada MIDI de 5 pinos, sync, saída de fone que também serve de saída principal. 27 teclas sensíveis ao toque, tocáveis via MIDI. Tudo isso por 119 euros de pré-venda. Pra quem sempre quis um VCS3 e nunca teve como pagar os milhares de dólares que um original custa hoje no mercado vintage, isso é uma porta que se abre.

Por que isso me emociona tanto

Eu vivo rodeado de sintetizador vintage de verdade no Concerto para Sintetizadores / RETROTECH — são 14 máquinas dos anos 70 e 80 num só palco, cada uma com a própria personalidade, a própria imperfeição, o próprio jeito de reagir quando você vira um knob rápido demais. Não é nostalgia por nostalgia. É que esses instrumentos têm uma voz, e essa voz carrega a história de quem os usou antes de você. Quando um fabricante como a Behringer investe engenharia de verdade pra recriar um circuito desses e ainda por cima o coloca num tamanho pequeno, num preço acessível, ele não está só vendendo um produto — está devolvendo pra uma geração inteira a chance de tocar um pedaço da história que, de outra forma, ficaria trancado em museu ou em coleção particular.

Já reparei nisso antes com o Minimoog, com os Roland da minha estreia do Concerto#1 em 2018 — o poder desses instrumentos ainda me espanta, sinceramente. E o VCS3, com esse joystick, sempre foi um dos que eu mais tive vontade de ter nas mãos. Vou atrás de um AKS Mini assim que sair do pré-venda, e não me surpreenderia nada se ele entrasse no repertório de equipamento do RETROTECH — tem uma sonoridade que combina demais com o clima que eu busco nos meus sets ao vivo.

Se você também é fã de sintetizador vintage, ou só ficou curioso com essa história do joystick, vale a pena procurar os vídeos de demonstração que já estão circulando. E se alguém aí já pediu o seu, me conta — quero muito ouvir o que estão achando do som.